Na história da humanidade nunca se acessou tanta pornografia e nunca se pagou tão pouco por ela. É o que se afirma no documentário “Pornocracy: The New Sex Multinationals” da Netflix. E esse DOC, com toda estimativa de cálculos e estatísticas, está certíssimo. E isso é fruto da penúltima revolução audiovisual. Para entender melhor sobre isso, vamos cruzar um pouco a história da pornografia.
Uma das revoluções humanas mais importantes foi à prensa tipográfica que possibilitou a expansão do conhecimento através dos livros. Um dos primeiros a teorizar e se dedicar a produção de materiais de cunho pornográfico foi o escritor italiano Pietro Aretino (1492-1556) e ainda nos templos do Egito e da Índia podemos ver bacanais explícitos esculpidos e ilustrados com muita arte. Sem falar das pinturas rupestres pelo mundo todo. Isso é apenas uma prova de como a humanidade sempre necessitou retratar a sexualidade humana utilizando a tecnologia de cada tempo e período para isso.

Em 1982 a indústria americana oficializou, num cerimonial de gala da revista Adult Video News, o prêmio AVN. Iniciava aí um meio de organização e valorização daqueles que entregavam seus corpos para a arte do sexo cinematográfico. Até o fim dos anos 1980, 99.9% dos filmes XXX (sigla que denomina pornografia), imitavam os enredos dos filmes convencionais. Ou seja, o filme tinha aquela clássica história ficcional para ser contada, mas a dramaturgia era recheada de pirocas, peitos, bocas, vaginas e cús trabalhando a valer, bem escancarados na tela das câmeras de muitos quilos.
Com o avanço da tecnologia e a sofisticação dos aparelhos de registro, ainda na década de 1980, o cineasta John Stagliano, proprietário da Evil Angel, fez uma grande revolução na maneira de captar imagens. Surgia ali a maneira “Gonzo” de gravar: sem roteiro fixo, com perguntas dirigidas diretamente aos performers, uma câmera na mão e muitas putarias na cabeça. Deste estilo descende o “POV”, quando a gravação é captada da visão do performer, sendo ele o próprio diretor. A identificação de quem assistia e se sentia o ‘comedor’ no ato da cena desses dois estilos foi imediata e o sucesso de ambos arrebatou uma era. Saía os diálogos decorados, o trabalho de atuação e interpretação, até mesmo o jargão de “ator pornográfico” como ainda são conhecidos os performers. O sexo diante das câmeras ficava mais real. Uma verdadeira revolução bem lucrativa dentro do próprio mercado da pornografia.

As produtoras enfrentaram anos de crise até a adaptação nessa ferramenta chamada internet que cortou muitas cabeças nobres como a revolução francesa o fizera. Ninguém mais precisava pagar por pornografia. Tempo que se estende até o momento atual. E não adianta nem mesmo aquelas campanhas que existiam no fim da década de 1990 quando diziam que o DVD pirata vendido por ambulantes, que era verdadeiramente ruim, estragava o aparelho. Os tubes estão cada dia melhores e mais atualizados, com filmes em HD e toda a novidade possível do mercado. Uma competição extremamente desleal sobre os direitos autorais dos produtores de pornografia paga. Quem hoje ainda assina sites pagos, geralmente são fãs assíduos que estão muito além da punhetinha ou da siririca grátis. Apreciam nomes, datas, segredos e carreiras dos trabalhadores da indústria +18.
Não adianta! O tráfego é quase que a única ferramenta que gera lucro na internet. E os gigantescos tubes lucram muito com milhões de visualizações por mês. Mas os verdadeiros donos do material, os produtores e performers dos vídeos, quase sempre, não lucram nada.



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