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sábado, 16 de fevereiro de 2019

SeXtou com Carol Borgia | Crônica da Semana – Porn Revolution: Cérebros,Punhetas e Siriricas



Na história da humanidade nunca se acessou tanta pornografia e nunca se pagou tão pouco por ela. É o que se afirma no documentário “Pornocracy: The New Sex Multinationals” da Netflix. E esse DOC, com toda estimativa de cálculos e estatísticas, está certíssimo. E isso é fruto da penúltima revolução audiovisual. Para entender melhor sobre isso, vamos cruzar um pouco a história da pornografia.

Uma das revoluções humanas mais importantes foi à prensa tipográfica que possibilitou a expansão do conhecimento através dos livros. Um dos primeiros a teorizar e se dedicar a produção de materiais de cunho pornográfico foi o escritor italiano Pietro Aretino (1492-1556) e ainda nos templos do Egito e da Índia podemos ver bacanais explícitos esculpidos e ilustrados com muita arte. Sem falar das pinturas rupestres pelo mundo todo. Isso é apenas uma prova de como a humanidade sempre necessitou retratar a sexualidade humana utilizando a tecnologia de cada tempo e período para isso.


Soneto “Lussuriosi” – Pietro Aretino
 
Os primeiros registros audiovisuais pornográficos são datados desde o início das salas de projeção, com mais uma revolução em voga: o surgimento do cinema.

Em 1982 a indústria americana oficializou, num cerimonial de gala da revista Adult Video News, o prêmio AVN. Iniciava aí um meio de organização e valorização daqueles que entregavam seus corpos para a arte do sexo cinematográfico. Até o fim dos anos 1980, 99.9% dos filmes XXX (sigla que denomina pornografia), imitavam os enredos dos filmes convencionais. Ou seja, o filme tinha aquela clássica história ficcional para ser contada, mas a dramaturgia era recheada de pirocas, peitos, bocas, vaginas e cús trabalhando a valer, bem escancarados na tela das câmeras de muitos quilos.

Com o avanço da tecnologia e a sofisticação dos aparelhos de registro, ainda na década de 1980, o cineasta John Stagliano, proprietário da Evil Angel, fez uma grande revolução na maneira de captar imagens. Surgia ali a maneira “Gonzo” de gravar: sem roteiro fixo, com perguntas dirigidas diretamente aos performers, uma câmera na mão e muitas putarias na cabeça. Deste estilo descende o “POV”, quando a gravação é captada da visão do performer, sendo ele o próprio diretor. A identificação de quem assistia e se sentia o ‘comedor’ no ato da cena desses dois estilos foi imediata e o sucesso de ambos arrebatou uma era. Saía os diálogos decorados, o trabalho de atuação e interpretação, até mesmo o jargão de “ator pornográfico” como ainda são conhecidos os performers. O sexo diante das câmeras ficava mais real. Uma verdadeira revolução bem lucrativa dentro do próprio mercado da pornografia.

Estilo POV– POVD.COM
 
As videolocadoras foram à expansão do comércio sexual no fim dos anos 1980 com a invenção do VHS e posteriormente dos DVDs. Há algo de saudosista em quem fala sobre esse longo período. Locar um filme pornô tinha algo de romântico, um certo proibido ao adentrar na parte oculta da videolocadora para matar o desejo de ver aquela gostosa sacanagem. Mas como todo período romântico tem seu fim, esse também veio ao declínio com o avanço da modernidade e os tubes gratuitos da internet em 2003/2004. A revolução mais devastadora de todas! Pois, foi idealizada e exercida por empresários e programadores que não tinham a pornografia como ofício.

As produtoras enfrentaram anos de crise até a adaptação nessa ferramenta chamada internet que cortou muitas cabeças nobres como a revolução francesa o fizera. Ninguém mais precisava pagar por pornografia. Tempo que se estende até o momento atual. E não adianta nem mesmo aquelas campanhas que existiam no fim da década de 1990 quando diziam que o DVD pirata vendido por ambulantes, que era verdadeiramente ruim, estragava o aparelho. Os tubes estão cada dia melhores e mais atualizados, com filmes em HD e toda a novidade possível do mercado. Uma competição extremamente desleal sobre os direitos autorais dos produtores de pornografia paga. Quem hoje ainda assina sites pagos, geralmente são fãs assíduos que estão muito além da punhetinha ou da siririca grátis. Apreciam nomes, datas, segredos e carreiras dos trabalhadores da indústria +18.

Não adianta! O tráfego é quase que a única ferramenta que gera lucro na internet. E os gigantescos tubes lucram muito com milhões de visualizações por mês. Mas os verdadeiros donos do material, os produtores e performers dos vídeos, quase sempre, não lucram nada.

Pornhub – site considerado de ser grande responsável por pirataria na internet.
 
Os óculos de Realidade Virtual vigoram com mais força a cada dia pelo mundo. É a face da mais recente revolução que vai mudar drasticamente os parâmetros de assistir pornô. E você já viu os resultados impressionantes de uma máquina dessas em nosso cérebro? Creio que, num mundo cada dia mais instantâneo e que as pessoas têm imensa desmotivação de sair de casa para entretenimento, será um baque no sexo efetuado de forma real, à moda antiga, com cheiros, gostos e com pessoas de carne e osso na forma presencial. Esses óculos VR ludibriam tanto a capacidade da íris que parecemos fazer sexo de verdade, dentro de uma realidade proposta e bem sucedida. Num simples toque estamos “realmente” dentro do filme, não resistindo à sedução da máquina. A indústria pornô pode ser novamente a grande beneficiada por essa tecnologia, caso a gratuidade de conteúdo não domine mais essa dimensão. Posso afirmar que estamos nos aproximando do ápice de mais uma revolução feita por cérebros, punhetas e siriricas, antes do apocalipse de Stephen Hawking esvaziar o planeta terra

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